A importância do Respeito no mercado

08/11/2018 - AUTOR: Geraldo Soares – superintendentes de Relações com Investidores do Itau-Unibanco
Geraldo Soares

Respeito é olhar o outro com suas diferenças individuais; com suas atitudes, opiniões e comportamentos próprios. Respeitar não significa concordar com o outro. Na verdade, implica em não discriminar nem ofender outra pessoa devido as suas escolhas. Evidentemente, as escolhas de uma pessoa devem respeitar o espaço da outra, visando o bom convívio social.

O respeito é um dos valores mais importantes da sociedade, sendo relevante na interação social. O respeito busca impedir que uma pessoa tenha atitudes reprováveis em relação à outra. As religiões abordam o respeito ao próximo como uma condição fundamental para uma convivência saudável.

Gostaria de expandir esse assunto para o mundo do trabalho, das empresas atuais e do que está ocorrendo no “chão de fábrica”, nos ambientes de trabalho, sejam esses novos ou antigos, sejam “big data” ou Excel.

Independentemente do tamanho da empresa, respeitar um colaborador, par ou parceiro significa buscar incessantemente o seu desenvolvimento profissional. Se eu respeito um colaborador, devo contribuir para sua felicidade através da plenitude de seu potencial funcional.

Desenvolver não significa promover ou aumentar a remuneração de um colaborador, mas sim aperfeiçoá-lo para que possa realizar suas atuais tarefas de forma perfeita, com qualidade superior, buscando sempre desenvolver plenamente o seu potencial.

Desenvolver significa transformar cada pessoa em um indivíduo que efetivamente tenha como valor a melhoria constante do seu trabalho. Aqui buscamos um indivíduo crítico que questiona o atual estado das coisas. Para o colaborador cíitico vir à tona é necessário respeitar as etapas em que ele se encontra apoiando o seu ciclo de desenvolvimento.

Superar as lacunas cognitivas através do aprendizado é extremamente importante para uma melhoria contínua. Desenvolver significa agregar valor para todos os envolvidos, sejam outros colaboradores ou os acionistas

E essa melhoria reflete diretamente na percepção dos clientes e dos fornecedores, gerando um fluxo contínuo de aperfeiçoamento e de resultados positivos para a empresa e, por consequência, para a sociedade.

Relações com Investidores é um conjunto de atividades, métodos, técnicas e práticas que, direta ou indiretamente, propiciam a interação das áreas de Contabilidade, Jurídica, Planejamento Estratégico, Comunicação, Marketing e Finanças, com o propósito de estabelecer uma ligação entre a administração da empresa, os acionistas (e seus representantes) e os demais agentes que atuam no mercado de capitais, integrando a comunidade financeira nacional ou internacional.

Assim como em outras áreas estratégicas dentro da companhia, a atualização e o aprimoramento da área de RI podem significar um diferencial de qualidade para a reputação corporativa da companhia aberta. Isso contribui para que o programa de RI possa esclarecer os eventuais ruídos de comunicação entre a organização e seus diversos públicos.

Nesse aspecto quando se envereda pelo cenário da reputação de uma empresa, a atuação do gestor extrapola uma mera relação racional e estratégica, pois ele passa a ser “a voz” dessa organização no mercado junto a todos aqueles públicos que possuem ou relacionamento ou algum interesse com essa marca, empresa. Quando essa relação implica em relações de investimento, de aquisição, de consumo, essa responsabilidade aumenta significativamente e envereda pela confiança e a ética.

De um lado, incorpora uma relação de compromisso estabelecida entre a empresa, seus públicos e implica em um pacto com resultados econômicos e/ou financeiros pré-estabelecidos, o que irá resultar em uma obrigação assumida por uma ou diversas partes do processo, estabelecendo um comprometimento.

 

Independente de uma relação de compromisso de resultado no âmbito do mercado, essa “obrigação” implica no comprometimento com  o laço de confiança estabelecido em relação ao que se afirma em discursos com ações posteriores, envolvendo informações divulgadas, respostas fornecidas às solicitações, relações verdadeiras estabelecidas e ao diálogo estabelecido ao longo da relação e, principalmente, as coerências percebidas ao longo do desenvolvimento de relacionamentos com os mais variados públicos da empresa.

 

No tocante ao resultado do comportamento de um gestor ou de uma empresa ao longo de sua trajetória que é a confiança, um elemento essencial na economia dos dias atuais e um ativo que a cada dia se torna um patrimônio de valor inestimável tanto para profissionais quanto para empresas, ela se transforma naquele elemento central, que  redundará em credibilidade, transformando-se em um conceito positivo do respeito de alguém ou de algo à organização.

Transforma-se, por outro lado, no credito que determinado sujeito, cliente, investidor dará à uma marca, concedendo a segurança necessária para que um investidor, por exemplo, invista seus recursos, escolha determinada instituição em detrimento de outra.

Fornecerá no nosso universo de mercado aquele sentimento necessário a um consumidor de crença de que determinado produto ou marca é confiável, de melhor qualidade , que transmita percepção e firmeza, de que não falhará – oi que, concluindo, fornecerá a fé necessária de forma a atender as expectativas no tocante a projeção de valor – econômico e financeiro e moral de que elas serão atendidas – que as esperanças inseridas no ato, na crença poderão ser concretizadas.

Para que esse Respeito seja desenvolvido ao longo das relações estabelecidas torna-se essencial uma prática de governança estabelecida nos pilares da transparência, que extrapola a ética e a definição de valores para mera apresentação no institucional corporativo. Governança preconiza compromisso com os valores de cada empresa, norteado por atitudes e ações honestas, comprometidas com as promessas que garantem a sustentabilidade do negócio, mas também com as relações estabelecidas.

Respeito só se pratica pela experiência que gera em todos aqueles públicos dos relacionamentos estabelecidos por uma organização, a fé necessária no que se fala e prática.

Geraldo Soares é membro e Coordenador do Comitê Superior de Orientação, Nominação e Ética do IBRI. É coordenador da Comissão de Comunicação e de Mercado de Capitais – IBGC. Presidente do Conselho de Supervisão da Apimec e Superintendente e RI do Itaú Unibanco Holding.